Diagnóstico

Lúpus: quanto mais rápido o diagnóstico, melhor o resultado do tratamento

Para o diagnóstico do lúpus eritematoso sistêmico (LES), o médico precisa reconhecer sinais e sintomas da doença, em qualquer área de manifestação – cutânea, articular, sanguínea, cardíaca, pulmonar, renal e neuropsiquiátrica , além de realizar o adequado exame físico e solicitar testes laboratoriais.1, 2.

Exames Laboratoriais:

Os mais utilizados para o diagnóstico são:

  • Fator antinuclear (FAN ou ANA): autoanticorpos que atacam o núcleo das células. Existem no sangue da maioria dos pacientes com lúpus. No entanto, um resultado positivo, por si só, não é prova de LES, já que o teste também pode ser positivo para outras doenças autoimunes3
  • Anti-dsDNA: autoanticorpos que atacam o material genético da célula. Encontram-se fundamentalmente no LES. O exame é repetido com frequência, pois a quantidade de anticorpos anti-dsDNA nativo parece aumentar quando a doença está ativa3
  • Anti-Sm: refere-se ao nome do primeiro paciente, Smith, em que foram encontrados esses autoanticorpos, existentes quase exclusivamente em quem tem LES3

Além dos exames citados acima, o hemograma completo, complemento sérico, e o exame de urina também são muito úteis, não só para ajudar no diagnóstico, como para detectar se a doença está em atividade, sua gravidade e realizar o acompanhamento, uma vez que o lúpus apresenta períodos de remissão1, 2 ,4.

A solicitação dos exames deve se basear na avaliação clínica que o médico faz de cada paciente2.

Critérios de diagnóstico:

Como foi dito anteriormente, o diagnóstico do lúpus eritematoso sistêmico é feito pela combinação de sinais, sintomas, resultados de exames, além da exclusão de outras doenças. Para ajudar a distinguir o lúpus de outros problemas, foi estabelecida uma lista de 11 (onze) critérios, sendo sete parâmetros clínicos e quatro parâmetros laboratoriais. Para ser diagnosticado com LES, o paciente deve ter, no mínimo, 4 destas características, em qualquer momento, desde o início da doença3, 5:

  • Rash malar: a clássica "asa de borboleta", uma mancha avermelhada sobre a face e o dorso do nariz; e fotossensibilidade3, 5.
  • Rash discoide: lesão cutânea que costuma deixar cicatrizes5.
  • Fotossensibilidade: rash cutâneo como resultado de reação incomum à luz solar segundo história clínica e exame físico5.
  • Úlceras orais ou nasais: pequenas feridas indolores. As úlceras no nariz podem provocar hemorragias3, 5.
  • Doença articular: artralgia (dor nas articulações) ou artrite (inflamação nas articulações) não erosiva5.
  • Serosite: pleurite, inflamação da pleura (revestimento dos pulmões), a pericardite, inflamação do pericárdio (revestimento do coração) e peritonite, inflamação do peritôneo (revestimento do abdome) são comuns no LES. A inflamação destes tecidos pode fazer com que líquidos se acumulem à volta do coração, dos pulmões e abdome3, 5.
  • Distúrbio renal: sangue na urina e perda persistente de proteínas, também pela urina2, 3.
  • Distúrbios neurológicos: dores de cabeça, convulsões, dificuldade de concentração e memorização, alterações de humor, depressão e psicose3.
  • Distúrbios hematológicos: anemia hemolítica (destruição dos glóbulos vermelhos pelos autoanticorpos), leucopenia (leucócitos abaixo de 4.000/ml ou linfopenia abaixo de 100.000/ml), plaquetopenia (plaquetas abaixo de 100.000/ml)3, 5.
  • Anticorpos antinucleares (FAN ou ANA): autoanticorpos que atacam o núcleo das células. Positivo em mais de 98% dos casos2, 3, 5.
  • Distúrbio imunológico: Presença de Anti-dsDNA, anti-Smith (anti-Sm) ou achados positivos de anticorpos antifosfolipídicos.

Para um diagnóstico correto:

Ao menor indício de um dos critérios citados aqui, procure um reumatologista. Ele fará uma análise clínica e pedirá os exames necessários. Lembre-se: quanto mais rápido o diagnóstico, melhor será o resultado do tratamento.

Para saber mais sobre o LES, acesse O que é lúpus.

Referências bibliográficas